Por que os gatos caem em pé?

Já percebeu que os bichanos, quando caem de algum lugar, dão uma ou mais cambalhotas no ar e preparam-se para cair em pé, como se nada tivesse acontecido? Essa habilidade tem uma razão de ser, como explica Beatriz Mattes, médica veterinária especializada em medicina felina. “O gato conta com grande sensibilidade dos receptores vestibulares que integram o labirinto, uma estrutura na parte interna do ouvido, responsável pelo equilíbrio. Sempre que o gato está em uma posição desconfortável, ocorre um aumento de pressão na região, funcionando como um alerta”.

Esta “mensagem de alerta” é enviada para o sistema nervoso, que manda vários sinais elétricos para o aparelho locomotor, em especial os músculos. Desta forma, os músculos realizam uma série de movimentos instintivos que fazem o corpo do animal recuperar o equilíbrio.

Segundo Beatriz, para ter tempo de virar o corpo, o gato precisa de uma altura mínima de cerca de 30 centímetros. Uma curiosidade explicada pela médica veterinária: os bichinhos se machucam menos quando despencam de lugares mais altos. Quedas do segundo ao sexto andar de um prédio, por exemplo, costumam ser piores do que uma queda do sétimo, ainda que o impacto contra o solo seja aparentemente mais leve.

Síndrome do gato paraquedista

A explicação para isso, de acordo com a médica veterinária, é a “síndrome do gato paraquedista”. “Quando cai de uma altura entre o segundo e o sexto andar, o gato normalmente não atinge sua velocidade máxima em queda livre, média de 96 km/h. E isso faz toda a diferença. Até atingi-la, o animal se ajeita para o impacto, corrigindo a postura e estendendo as patas para baixo. Resultado: ao se chocar contra o solo, ele está com a musculatura rígida, o que aumenta o risco de fratura. Em quedas do sétimo andar para cima, no entanto, os 96 km/h costumam ser alcançados. Quando isto acontece, o gato instintivamente alinha seus membros na horizontal e relaxa a musculatura. Nesta posição, o atrito com o ar aumenta e o animal tende a desacelerar”, observa Beatriz.

No entanto, a médica veterinária alerta: “atenção! Isso não significa que quedas a partir do sétimo andar não são perigosas. Muito pelo contrário! Quedas de alturas elevadas podem ser fatais. Muitas vezes, os animais conseguem andar normalmente depois da queda, principalmente nos andares mais altos, mas isto não quer dizer que nada de grave aconteceu. As lesões nos pulmões podem ser silenciosas e demorar horas para aparecer”.

Beatriz recomenda que os tutores de gatos que moram em apartamentos coloquem telas de proteção nas janelas e varandas para evitar acidentes, que podem ser graves e, muitas vezes, fatais. Melhor prevenir do que remediar com seu amigo bichano!

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